Rompimento da barragem de Brumadinho – por Cassinha Carvalho

Cassinha Carvalho acompanha intervenção na via de acesso ao bairro Castelo
18/12/2018
Eleição da Presidência da Mesa do Senado
05/02/2019
Mostrar tudo

Rompimento da barragem de Brumadinho – por Cassinha Carvalho

Há mais de sete dias a Barragem de Brumadinho rompeu-se e deixou jorrar toneladas de barro e rejeitos da mineração. O dilúvio lamacento assolou e devastou a região, soterrou centenas de pessoas. Inundou o Córrego do Feijão, um importante afluente da bacia do Rio Paraopeba – até então considerado um rio de alto índice piscoso, além de ser responsável por abastecer a cidade de Belo Horizonte de água.

Todas as incongruências, como a construção de um refeitório abaixo da barragem onde funcionários diretos e terceirizados faziam horário de almoço, a falta de dispositivos de segurança, provocam gritos de dor e pavor.

Há mais de sete dias, familiares e amigos das vítimas, estarrecidos por esse abominável crime praticado contra todo o povo mineiro, perguntam-se o porquê desse genocídio.

De quem é a culpa por essas famílias terem sido devastadas ao ver seus entes saírem para trabalhar e desaparecerem, serem apagados do mapa, soterrados por esse mar de rejeitos?

Como assim? Como compreender o ininteligível?

Onde estavam os órgãos responsáveis pela fiscalização das atividades mineradoras? Como explicar, ex-governador Fernando Pimentel, cujo mandato autorizou a licença de funcionamento de Brumadinho? Onde estavam os responsáveis pela fiscalização dentro Agência Reguladora do Estado?

Quem são os Deputados Federais e Estaduais que receberam patrocínio das Mineradoras, que tiveram suas campanhas eleitorais patrocinadas pelas empresas do ramo da Mineração?

Quem são os Deputados Estaduais que compõem a Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa e que votaram contra a medida que propunha maior rigor na fiscalização e legislação das barragens em Minas Gerais?

Quem autorizou a avaliação da Barragem de Brumadinho sair do grau de lesividade, risco VI para o risco IV. O que vale dizer que as regras e leis são menos contundentes?

E a Câmara de Atividades Minerárias, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, que expediu o famigerado Certificado de Inspeção, autorizando a licença para funcionamento da Barragem de Brumadinho, em dezembro de 2018?

É certo que são perdas além de qualquer reparo ou ressarcimento. Que nenhum bem físico ou patrimonial pode cicatrizar as feridas daqueles que continuaram às margens do cemitério dos horrores, à espera de um milagre, ou de pelo menos encontrar os restos dos seus.

E para nosso assombro, antes do povo Mineiro se recuperar da infelicidade do desastre da Mineradora de Mariana que, diga-se de passagem, as comunidades e vítimas, ainda esperam pela reconstrução de suas casas e vidas e muito pouco aconteceu, até o momento.

A incompetência ou omissão dos Órgãos Públicos viciados por interesses terceiros que redundam na deletéria associação entre Impunidade + Corrupção – esses cânceres que corroem as estruturas do nosso Brasil, banalizam o valor da vida em crimes praticados contra a população e o meio ambiente – o resultado é dor, é sofrimento e indignação.

Até quando Minas Gerais? Até quando Brasil?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *